terça-feira, 9 de agosto de 2011

Achar ou assar?

Ois,

Demorei um bocado para postar aqui, né? Ainda não tenho grandes novidades (mentira, tenho algumas), mas isso não quer dizer que eu não estou progredindo no processo auditivo, muito pelo contrário, estou progredindo sim. É um processo contínuo enquanto implantada e estou adorando a forma como estou descobrindo muitas coisas e eu e mamãe conversamos sobre isso hoje. Os ganhos que tenho tido, mesmo mínimos, são grandiosos e essenciais. Na conversa com minha mãe, falei que eu estou me dando conta de que a minha dicção vai melhorando com o tempo e mamãe já acha que estou falando melhor. Não sei se é coisa de mãe... mas enfim, a minha dicção já é razoável. Só que o problema mesmo é que eu não percebo as diferenças entre ch e ss, z e g, s e ss, x e ch e consequentemente às vezes falo "gebra", "eu asso", "sésso", entre outras palavras. Pode soar bizarro para vocês, mas realmente não percebo as diferenças entre esses sons, apesar de conhecer a fonética de cada um. Eu não percebo a diferença entre "achar" e "assar", por exemplo. Para mim estão pronunciando como "assar". No contexto, eu sei qual a palavra estão usando, mas o que trato aqui é somente da fonética, a minha amiga ardilosa. Se bem que eu até cometo erros na escrita, como uma vez eu escrevi assim: "Espera que eu vou achar o frango". E não foi apenas uma vez, admito. *bochechas vermelhas* Inclusive fiquei estranhando, com aquela sensação de "espera, eu acho que escrevi algo errado aí". Isso é porque eu acho normal falar (oralmente) "assar" ao invés de "achar", sem muitas vezes nem usar o chiado do ch. E eu descobri muito depois que sexo se pronuncia como sékso, e não como sésso como eu (ainda) falo, mas não pensem que eu não me corrijo, heheh. Ou pizza como pitza. Me lembro de meus pais me corrigindo, quando eu era uma criancinha, falando pausadamente "pit-za" e eu sem entender nada, sabia que algo estava faltando mas não sabia exatamente o que era. Só depois pude compreender isso, mas ainda não percebo o ks e tz quando falam naturalmente (ou não dá para perceber? tenho essa dúvida), a não ser de forma pausada e clara. Mesmo sabendo como essas palavras se pronunciam (e não ponho em prática :[), vocês podem me achar doida, mas eu me sinto estranha quando vou falar pitza ou sekso. Parece que eu estou falando errado! Que coisa, não? Mas é questão de treino para eu achar natural pronunciar corretamente. Não é à toa quando me perguntam se eu sou daqui do Brasil mesmo... confesso que eu me divirto com isso! Podia brincar, né? Mas me falta cara de pau pra essas coisas! :~
Percebo também mais o s, quando as palavras estão em plural. Eu tinha dificuldade de perceber, tinha que confirmar muitas vezes, "casa ou casaSSS?". Principalmente quando mamãe dita algo para eu escrever, ela fica aperreada comigo, risos. E poder perceber isso me deixa com os pés nas nuvens...
Então, a forma como eu falo é o reflexo da forma como eu ouço, ou seja, na medida em que eu vou ouvindo melhor, eu vou falando melhor. Isso não é empolgante? Como diz minha mãe, "é um ganho danado!" :)

Outra coisa empolgante é o fato de eu poder distinguir os sons de talheres em meio a tantos barulhos misturados. Foi emocionante pra mim, porque nunca senti algo assim. Deixando claro que eu ouço sons de talheres, de perto e de longe também (desde que eu esteja atenta e não tenha ruídos para abafar). Vocês conhecem bem esse barulho que vem da praça de alimentação em um shopping lotado, né? Pois é, eu consegui distinguir os sons metálicos de talheres tão suavemente, que mais me pareceu como uma música que apenas um barulhinho qualquer. Me fez sentir mais plena, não sei como dizer. Os talheres e os ruídos foram como água e óleo que não se misturam, sabe? Uma pena que esses sons se tornam banais com o tempo...

BeijoSSS,

EDIT: eu não sei se ficou explícito no texto, mas eu esqueci de dizer que eu estou começando a perceber as diferenças entre esses sons! E com isso, eu vou melhorando na dicção, não 100%, mas qualquer coisa já tá de bom tamanho. E sinceramente, queria manter esse meu sotaque ahahah :):):) Estava me lembrando que quando peço "casquinha" ou "mostarda" numa lanchonete qualquer, sempre eu tenho que repetir. Ou dizer, "o amarelo!" apontando para mostarda ou fazendo mímica de casquinha. Não sei bem como eu falo, mas é algo como "caisquinha", "moistarda", já tentei sem o i, e mesmo assim, não entendiam. :(


sábado, 30 de julho de 2011

Click, click, click

Hoje completo um mês de ativação e fui presenteada com o barulho do corta-unhas! Meu namorado estava cortando as unhas e ouço o click metálico. Click, click, click! Achei engraçado porque nunca ouvi o cortador cortar as unhas assim! Fiquei encantada que nem uma criança quando vê uma sobremesa de banana split cheia de chocolates confetes, rs. Nham!

E que venham muitos sons!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O mundo encantado dos sons

Eu ouço mais barulhos. Estou ouvindo mais barulhos do que ouvia antes. E cada vez mais percebo isso sempre com sorriso estampado na cara. Nos últimos três dias me encantei com barulhos do simples "arranhar" das moedas, do recolher dos pratos num restaurante, da vassoura, do apito... São principalmente barulhos em frequências altas. No começo eu ficava confusa, achando que estava ouvindo pelo ouvido bom, mas qual a lógica se este ouvido não capta sons a poucos decíbeis e ainda mais numa frequência acima da média? Até o barulho do teclado, que antes não achava irritante, está começando a me incomodar! :))) O que me leva a digitar de forma menos barulhenta. Ah, como agora eu entendo minha mãe que sempre reclamava disso! Eu achava que era implicância dela, hahahah.

Beijos estalados,

terça-feira, 26 de julho de 2011

Incompleta

Estou há algumas horas sem meu implante, porque a bateria arriou e eu esqueci de trazer a reserva. Isso me fez perceber que passar esse tempo sem ele me faz sentir tão vazia, tão murchinha. Com o meu IC é realmente melhor, diferente, o bichinho me completa... Fui descuidada, mas tomo isso como uma lição. Ou seja, andar munida de baterias! Rs.

O implante coclear funciona a baterias recarregáveis e pilhas. As baterias recarregáveis duram apenas 22h ou mais, dependendo do ambiente, porque quanto mais barulhento estiver no local, mais gasta a bateria. Já as pilhas, são aquelas do aparelho auditivo, em que só se usa 1 (e dura uns 15 dias) e no meu IC, são 3 pilhas (há um modelo que usa 2) e acabam-se muito rápido, 3 dias apenas! Mas sendo mais organizada, eu acho que duas baterias recarregáveis dão conta e é bem mais econômico assim, afinal, pilhas não são barato. Muito menos baterias recarregáveis, aliás. Quando as baterias ou pilhas estão perto de acabar, o meu IC avisa com um alerta sonoro bem baixinho que eu ainda não percebo. Aí quando acho que está perto de acabar, olho no visorzinho do IC que também avisa. ;)

Aqui Lak, do blog "Desculpe, não ouvi", explica bem melhor sobre as pilhas/baterias. :)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Chuva de talheres e outros sons

Estou cheia de novidades, só deu para contar agora. Estou ativada há 21 dias apenas, e de lá para cá, ouvi algumas coisas que não imaginava que tinha barulho, por exemplo: eu ouvi um barulho agudo e meio estranho vindo de um tênis, que acontece quando a pessoa "freia" e só em certos pisos, segundo o que mamãe diz, que estava comigo no momento que eu ouvi. Quando mamãe me contou que o barulho era do tênis, eu não consegui acreditar que o tênis faz tal barulho, é muito engraçado! Nunca ouvi um barulho igual ou parecido e nem sei como descrevê-lo (para variar, né?). Minha mãe se surpreendeu com isso, pois o som é banal para ela. Adoro essa minha companheira na aventura dos sons!

No mesmo dia, à noite, fui ao shopping sozinha, fazer minhas comprinhas básicas, e eu ouço um chororô infinito de uma criança, protestando aos gritos que queria voltar para casa. Chororôs eu já ouvi demais da conta! Sempre tem por aí no supermercado, shopping, etc. Sendo que assim que eu ouvi esse chororô, achei que a criança estava perto de mim, porque tava beeem alto (ai, meus tímpanos), mas não, o danadinho do guri estava meio longe e eu me surpreendi ainda mais quando eu consegui entendê-lo "quero ir para casa, quero ir para casa", talvez porque estava repetindo aos brados e prantos. Mas o que mais me chamou atenção foi que a sua voz tinha o mesmo aspecto "vibratório", mais encorpado, digamos assim, do mesmo jeito que eu ouvi os gritos da minha sobrinha, que gritou querendo fugir das cócegas da sua mãe, rs.

E hoje, eu estava em um banco, aguardando a minha vez, ouço um barulho meio irritante e mamãe diz que é uma impressora que imprime nota fiscal. Eu nunca ouvi aquele som! Talvez porque eu era bem desatenta antes do IC, não sei, mas realmente nunca ouvi aquele barulhinho chato, mas me agradou bastante pela novidade, rs. Se mamãe não estivesse comigo, eu não saberia identificar o que era.

Mais tarde, caminhando com ela, eu ouço alguém serrando algo (não deu para ver). Eu já tinha escutado o barulho da serra outras vezes e o barulho sempre me dava agonia, como se estivesse serrando a mim, rs. Dessa vez, a "agonia" foi mais forte quando ouvi a serra, foi totalmente sem comparação! hauhauhauh O mais interessante é que tinha outros ruídos por perto e ainda assim consegui discriminar a serra :) E agora há pouquinho, eu estava assistindo a um filme na TV e ouço interfone tocar, que é bem agudo e muitas vezes eu não ouvia! Só se prestasse atenção e o ambiente estivesse silencioso, sendo que eu estava distraída, prestando atenção ao filme... Pode parecer muito besta para vocês, mas isso me dá uma satisfação tão grande! Me lembrei das muitas vezes de gente me perguntando se eu não ouvi o interfone tocar milhões de vezes, etc. Outro dia, eu estava no computador enquanto mamãe lava as louças e eu ouço um barulhinho parecido com chuva, e pergunto a mamãe aos gritos para ela me ouvir, "o que é isso, mãe?", "o quê?", "eu ouvi um barulho daí", e ela faz um barulho com talheres e explica que está lavando os talheres e eu, "parece chuva!". Realmente parecia... e mamãe é só alegria com as minhas descobertas!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Vibração sonora do dia: a queda de moedas

Hoje cedo eu estava me arrumando para sair, ainda sem aparelhos (AASI + IC) e quando pego uma bermuda jeans, caem umas moedinhas, e eu não ouvi. Tentei de novo só para confirmar mesmo que eu não ouço, porque meu ouvido não implantado tem audição residual, mas não capta frequências altas e o meu ouvido implantado é anacúsico, não capta nem as frequências baixas. Tentei e nada, não consegui ouvir pelo ouvido bom. Aí isso me fez pensar em tentar com IC, para ver como seria... E eu senti uma vibração! Eu acho que eu consegui ouvir também, mas está tão, tão baixinho que fico achando que é só impressão minha. Ou pelo menos é uma fase inicial de detectar sons... Testei de várias formas, em pé, de costas, jogar bem alto, bem baixo... pedi a minha sobrinha soltar as moedas na sala, enquanto fiquei no quarto e ela pergunta com sorrisinho banguelo, "ouviu????" e eu confirmo comemorando que nem uma criança feliz, risos! Pedi para ela fazer de novo e de novo, só para eu sentir... Queria ser capaz de armazenar essas vibrações e passar para vocês só para terem noção de como é!

Beijos,

segunda-feira, 11 de julho de 2011

novidades e novo mapa (P2)

Sabe aquele negócio que você sabe o que é uma coisa, mas não sabe explicar? Eu queria saber explicar o que é mapeamento e o que envolve nisso, por exemplo. Pessoas me perguntam e eu me borro toda, hehehe. O máximo que eu sei explicar é que a fono muda o mapeamento a cada 2 meses depois de um certo período, depois o tempo entre os mapeamentos fica mais espaçado. Ok. E o que a fono exatamente faz no mapeamento? Eu sei assim intuitivamente, mas não sei explicar. A cada mapeamento, a fono vai ajustando o mapeamento de acordo com a perda auditiva da pessoa, levando em conta o tempo que passou sem ouvir. No meu caso, que passei quase - já que estou começando - a vida toda sem ouvir, o processo será mais lento, lembrando que tenho outro ouvido que quebra o galho e que pode ajudar o meu ouvido implantado nesse processo e portanto, eu tenho que começar engatinhando, em um volume bem baixo. Não se pode colocar de pronto no limiar dos ouvintes ou eu desmaio! Então o meu primeiro mapeamento, que foi ajustado no dia da minha ativação, será mais como uma adaptação, os sons dão boas-vindas ao meu ouvido novo, mesmo de forma bem tímida. No próximo mapeamento, como já disse muitas vezes, a fono vai aumentar o volume, dependendo do que eu achar agradável, porque leva um bom tempo para chegar ao limiar dos ouvintes, não pode ter pressa. Como se não bastasse, ainda encontro dificuldades em explicar as minhas sensações auditivas, queria tanto que vocês sentissem o que eu sinto, hihi. E outra... no IC cabe 4 programas diferentes, cada um com sua configuração adequada para um determinado ambiente, você escolhe o que mais lhe agradar. É difícil de explicar também... No primeiro mapeamento, é a fase onde você experimenta esses quatro programas, não sei se essa fase continua nos próximos mapeamentos (creio que sim). Então, a fono pediu que eu mudasse de programa a cada 10 dias durante dois meses. Passei os 10 primeiros no programa 1 (P1), no qual tive poucos ganhos, mas obviamente não deixam de ser importantes (e empolgantes!) e agora estou no P2 que mudei no domingo (na verdade, no sábado de noitinha). É só apertar um botão (há dois botões) no processador de fala (parte externa retroauricular - fica atrás da orelha) para mudar o programa. Entre P1 e P2, não notei diferenças, talvez por estar muito baixinho ainda (eu acho que o volume fica inalterável nos programas, por enquanto), então não deve dar para perceber o que muda entre um e outro. Pelo menos, a "percepção" auditiva continua a mesma. Ou ainda é cedo falar sobre o novo programa...

Aliás, eu ainda estava no P1 e fui a um supermercado há alguns dias e consegui distinguir assovios em meio a tantos ruídos misturados. Os assovios mais nítidos que já ouvi no meio de turbilhão de sons! Não sei se é porque estou mais atenta como disse no outro post... Enfim, quem sabe algum dia eu saiba localizar a fonte desses sons, hein? E ontem consegui outra grande façanha, já no P2. Eu estava na sala, montando quebra-cabeça com minha sobrinha e meu celular toca no quarto... Foi muito esquisito, porque eu ouvi o barulho, mas achei muito diferente, não estava associando com o toque do meu celular até minha mãe dizer que o meu celular está tocando. Só quando fui no quarto para pegar o celular que assimilei o toque... ai, ai, difícil de explicar de um jeito mais preciso. Mas sabe que eu fiquei felizinha só pelo fato de poder ouvir o som baixinho, mesmo sem reconhece-lo? Um belo de um progresso auditivo! :)))

E ontem fui a uma multifeira "Brasil mostra Brasil" aqui perto de casa, e aproveitei para ver se vende algum adesivo para perucas, dica da amiga Lak. Vou explicar... o meu IC tem um ganchinho que serve para pendurar na parte de cima da orelha, só que não fica bem seguro em mim, fica um pouco frouxo. Na verdade, tenho que ajeitar esse gancho. Uma vez fui descuidada e o meu IC levou uma queda que me deu uma dor danada no peito! Gosto nem de lembrar :( Então, Lak sugeriu que eu comprasse um adesivo para perucas, que é dupla-face e adere bem à pele. Você coloca o adesivo no processador que fica bem fixadinho. O preço? 60 reais um pacotinho!!! Não comprei porque queria saber antes se esse é o preço normal e a vendedora não soube me explicar como é o adesivo, nem me explicar por que é tão caro, hehehe. Snif... Vou tentar ajeitar o ganchinho mesmo!

Bjs nitidamente estalados,

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